Um novo caso de profanação de cadáveres por soldados dos EUA no Afeganistão e o envolvimento de um maior número de membros dos serviços de segurança de Barack Obama no escândalo de contratação de prostitutas durante a viagem do presidente norte-americano à Colômbia estão a embaraçar o imperialismo.

Depois da divulgação de um vídeo de soldados a urinarem para cima dos corpos de supostos combatentes talibãs (Janeiro), da foto de um contingente militar de elite a pousar sob uma bandeira das SS nazis, dos massacres de civis em bombardeamentos nas províncias de Kapisa e Kunar, da queima de milhares de exemplares do Corão na base militar de Bagram (Fevereiro), e da chacina de 17 afegãos, na sua maioria mulheres e crianças, por pelo menos um soldado norte-americano (Março), um novo caso de profanação de cadáveres pelas tropas dos EUA no Afeganistão está a embaraçar o imperialismo.

Na quarta-feira,18, o diário Los Angeles Times, publicou fotos de soldados da 82.ª divisão aerotransportada a pousarem e a manipularem os corpos de alegados bombistas suicidas afegãos. Os acontecimentos reportam-se a 2010, mas a divulgação das imagens, na semana passada, avoluma ainda mais os contornos escandalosos da ocupação norte-americana do Afeganistão.

De acordo com o Los Angeles Times, as fotos publicadas são apenas uma parte de um conjunto de 18 imagens enviadas para a redacção por um soldado norte-americano.

Segundo a AFP, o jornal foi abordado por altos responsáveis militares dos EUA para não divulgar as imagens, as quais, defendem, podem suscitar ainda mais reacções violentas à presença das tropas estrangeiras no território. Mas para o LA Times «a publicação de uma pequena mas representativa selecção de fotografias cumpre a obrigação de informar imparcialmente sobre todos os aspectos da missão no Afeganistão», explicou o director, Davan Maharaj (Lusa18.04).

Sem defesa possível

A agência de notícias portuguesa relata que Hamid Karzai, considera que «a única maneira de pôr fim a experiências dolorosas como esta é acelerando a transferência total das responsabilidades de segurança para as forças afegãs». Para o presidente títere afegão, «tirar fotos de restos humanos e partilhá-las com outras pessoas é um acto repugnante» e «provocador», que surge no contexto de uma série de «outros escândalos recentes que alimentaram a raiva dos afegãos» (Lusa 19.04).

Já entre os chefes políticos imperialistas, a tónica dominante é um misto de repúdio formal e censura pela divulgação das imagens. Condenando «com firmeza» o comportamento dos militares, mas, tal como nos casos anteriores, defendendo que estas «não representam de todo os valores e o profissionalismo da vasta maioria das tropas norte-americanas que servem actualmente no Afeganistão», o secretário da Defesa dos EUA, Leon Panetta, não deixou de se manifestar «desiludido» com a decisão do LA Times.

Posição idêntica foi vincada pela Casa Branca e pelo secretário-geral da NATO, embora Anders Fogh Rasmussen tenha ido um pouco mais longe. Convencido de que a memória colectiva já não retém o sucedido nos meses de Janeiro, Fevereiro e Março deste ano no Afeganistão, Rasmussen falou de um «acontecimento isolado» (Lusa18.04).

O chamado movimento talibã, por seu lado, qualificou as fotografias de «desumanas» e acusou os soldados norte-americanos e afegãos ao serviço do «invasor norte-americano» de serem «escravos incultos».

Vergonha em Cartagena

Paralelamente às revelações sobre o comportamento dos invasores imperialistas no Afeganistão, têm vindo à tona novos elementos sobre o escândalo de contratação de prostitutas por parte de membros do corpo de segurança de Barack Obama durante a viagem do presidente norte-americano à Colômbia, onde participou na cimeira da Organização de Estados Americanos.

Os dados mais recentemente conhecidos sobre a investigação em curso indicam que pelo menos 21 indivíduos – dez militares e 11 agentes dos serviços secretos – são suspeitos de terem contratado outras tantas prostitutas durante a estadia no Hotel Caribe, em Cartagena.

O número actual eleva dramaticamente o total de membros do corpo de segurança que se supunha estarem envolvidos. Pelo menos três, segundo informaram fontes oficiais, já terão sido afastados das respectivas funções.

Entretanto, o general Martin Dempsey, o militar norte-americano de mais elevada patente, expressou-se «envergonhado» pelo escândalo, informou a France Press, ao passo que o secretário de imprensa da Casa Branca, Jay Carney, revelou que Obama mantém a «confiança» no director dos serviços secretos, Mark Sullivan.

O escândalo da contratação de prostitutas terá estalado quando um dos agentes se recusou a pagar 47 dólares a uma das mulheres.

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Fonte: Avante!